Não rejeite a mente — entenda-a. Quando entende algo,
você vai além disso — isso fica abaixo de você. A mente
tem sua utilidade — uma grande utilidade.
Não existiriam qualquer ciência sem a mente, qualquer
tecnologia. Todos os confortos do ser humano
desapareceriam sem a mente humana.
O homem regrediria para o mundo dos animais ou até
para um mundo ainda mais inferior. A mente nos deu
muito.
O problema não é a mente. O problema é a sua
identificação com ela. Você acha que você é a mente —
aí está o problema.
Pare de se identificar com a mente. Seja o observador
e deixe-a funcionar — sob sua vigilância, seu testemunho,
sua observação. Uma diferença radical ocorre por meio
da observação. A mente funciona com muito mais eficácia
quando você a observa, porque todo o lixo é descartado
e ela não precisa carregar um peso desnecessário —
fica leve.
E quando você se torna um observador, a mente também
pode ter algum descanso. Do contrário, durante toda a
vida a mente trabalha, dia após dia, ano após ano. Ela
só pára quando você morre. Isso cria uma fadiga
profunda, uma fadiga mental.
Agora os cientistas estão dizendo que até os metais se
cansam — existe a chamada "fadiga do metal". Então
o que dizer da mente, que é extremamente sutil, que
é tão delicada? Trate-a com cuidado.
Mas continue à distância, indiferente, desapegado.
Quando escreve, você não se torna a caneta, embora
não possa escrever sem ela. Uma boa caneta é
essencial para uma boa escrita. Se você começar a
escrever com os dedos, ninguém entenderá o que
escreveu, nem mesmo você, e será muito primitivo.
Mas você não é a caneta e a caneta não é o escritor, é
só um instrumento para escrever.
A mente não é o mestre, mas só um instrumento nas
mãos do mestre.